
Com atuação essencial no monitoramento de rios e mapeamento de áreas de risco para inundações, o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) está enfrentando dificuldades para realizar as análises. O problema ocorre devido à falta de recursos e de equipamentos.
A maior defasagem envolve os barcos utilizados. Atualmente, o IPH conta com embarcações de motores com potência de 15 e 25 HP. Conforme o professor Maurício Paixão, a potência é considerada abaixo do necessário e limita as atividades em momentos críticos:
— Em períodos de inundação não conseguimos garantir a segurança da operação. Com o motor mais fraco e o Guaíba em condições de vento forte ou muita correnteza, não é possível realizar as medições e seguir fazendo estudos — explicou o professor.
Durante a enchente de maio de 2024, quando o Guaíba atingiu seu pico, a equipe do IPH não conseguiu atravessar o lago devido à defasagem da embarcação. Em junho deste ano, quando o nível da água voltou a atingir a cota de inundação no Cais Mauá, a dificuldade se repetiu. A situação também atrapalha o monitoramento em rios que possuem maior velocidade de escoamento, como o Taquari-Antas.
Para os trabalhos em condições de eventos extremos, o IPH aponta que seja necessário um motor de 75 HP, aproximadamente. Além de um barco de 6,5 a 12 metros, tipo "canoa" com boa profundida interna.
De acordo com diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas, Alfonso Risso, embarcações potentes são mais que necessárias diante dos eventos extremos que vive o Rio Grande do Sul:
— Normalmente, as poucas embarcações que temos são suficientes para as atividades do dia a dia. No entanto, em eventos extremos, é necessário contar com equipamentos mais potentes. O problema é que, nos últimos três anos, tivemos eventos hidrológicos de grande magnitude e o reforço é mais do que essencial. Não queremos algo maior do que o necessário, um motor de 75 HP e uma estrutura para ele, resolveria.
Além dos barcos, o IPH tem apenas um ecobatímetro, instrumento usado para medir a profundidade dos rios e lagos. Também só há um GPS de precisão para utilização dos pesquisadores.
Segundo Risso, existem restrições orçamentárias nas universidades federais. As solicitações são feitas, mas nem sempre são atendidas.
Procurado, o Ministério da Educação (MEC) afirma que recompôs o orçamento da UFRGS em R$ 8,6 milhões e que as universidades federais têm autonomia administrativa e financeira para estabelecer as prioridades dos seus recursos.


