
Sob uma nova onda de frio intenso, o Rio Grande do Sul bateu o recorde de temperatura mínima de 2025 nesta terça-feira (1º). Enquanto o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que o menor índice foi -5,3ºC em São José dos Ausentes, nos Campos de Cima da Serra, dados presentes no site do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos do Rio Grande do Sul (Simagro-RS) indicam que o termômetro marcou -7,3ºC em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste.
Mas afinal, qual foi a menor temperatura no Estado? Essa dúvida é esclarecida pelas estações meteorológicas, um dos recursos utilizados pelos mais diversos órgãos públicos e privados para fazer a verificação e a projeção das condições climáticas.
Menores mínimas
- Santana do Livramento: -7,3ºC
- Rosário do Sul: -5,4ºC
- São José dos Ausentes: -5,3ºC
- Alegrete: -4,3ºC
- Vacaria: -4,2ºC
Maiores mínimas
- Alpestre: 7,3ºC
- Santa Vitória do Palmar: 5,3ºC
- Mostardas: 4,5ºC
- Porto Alegre: 3,1ºC
- Viamão: 1,8ºC
Fonte: Simagro-RS
O que são as estações meteorológicas?
As estações meteorológicas representam um ponto, localizado em área estratégica de uma região, onde há um conjunto de instrumentos e sensores capazes de registrar a temperatura do ar, velocidade e direção do vento, umidade relativa do ar, radiação solar, chuva e pressão atmosférica. Elas são responsáveis por fazer a coleta dessas informações, que, posteriormente, serão usadas em cruzamentos e análises.
No Brasil, o Inmet é o órgão oficial de meteorologia e registra dados há mais de cem anos. Atualmente, ele conta com uma rede superior a 700 estações meteorológicas espalhadas pelo país inteiro. Mas não é o único que faz esse monitoramento.
Assim como o Inmet, há outras entidades como o Simagro-RS, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), prefeituras municipais, universidades e entidades privadas que também possuem suas próprias estações.
Cada órgão posiciona seus equipamentos em determinadas regiões e faz os seus registros. Há cidades que têm apenas uma estação, de uma entidade. Há aquelas que têm mais de uma, e as que não têm qualquer mediação.
No caso desta terça-feira, por exemplo, dentre as estações que monitora, o Inmet registrou -5,3ºC como menor índice. No caso do Simagro-RS, identificou -7,3ºC em Santana do Livramento, considerando apenas os locais que acompanha. O Inmet está com sua estação em Santana do Livramento desativada, por isso não é possível verificar qual teria sido o índice identificado pelo órgão na região.
Estação automática x estação convencional
As estações meteorológicas podem ser classificadas em dois tipos: as convencionais e as automáticas. As principais diferenças entre elas são a periodicidade e o modo de coleta de informações.
Os dados de uma estação meteorológica automática são recolhidos por meio de instrumentos e sensores automatizados, sem necessidade de intervenção humana. Os equipamentos registam as informações de modo contínuo. De hora em hora, esses dados são integralizados e disponibilizados para a sede do Inmet, em Brasília, via satélite ou telefonia celular.
— Temos informações instantâneas e abertas para o público. Ao longo do tempo, com esses dados, conseguimos detalhar o contexto climático, fazer medidas de uma determinada região e fazer um comparativo — afirma Marcelo Schneider.
No caso das convencionais, a estação é composta por equipamentos analógicos, como termômetros, ou sistemas mecânicos de monitoramento. Nessas circunstâncias, existe a presença diária de uma pessoa treinada, conhecida como observador, que faz uma leitura manual dos dados em três horários fixos do dia, às 9h, às 15h e às 21h.
— Elas oferecem informações similares, mas a convencional tem dados extras, aferidas pelo ser humano, como identificação das nuvens na hora da observação. Elas se complementam — adiciona.
Por que elas são importantes?
Em tempos de frio extremo e recordes nos termômetros sendo batidos no Rio Grande do Sul, o monitoramento da previsão do tempo ganha ainda mais destaque. Isso porque as estações são úteis para fazer a previsão do tempo de curto e médio prazo.
— Com elas, conseguimos ter um panorama de como está a massa de ar e fazer uma previsibilidade para as próximas horas. Isso aumenta o nível de certeza para os avisos meteorológicos — pontua Marcelo Schneider, meteorologista do Inmet.
Onde elas estão localizadas
A instalação de uma estação, seja ela automática ou convencional, deve ser feita em um local estratégico para que os registros tenham precisão. Elas são distribuídas entre as diferentes regiões do país e posicionadas para evitar interferências externas.
Geralmente, são colocadas em áreas gramadas e livres de obstáculos, que possam vir a impedir a passagem da radiação solar ou que mudem as características do vento.
— Desde o início, tentamos escolher um lugar que seja mais representativo daquela região. Às vezes, pode não ser o "melhor" daquela cidade, mas é o que descreve ela — declara o meteorologista.
Tendo em vista os casos em que a cidade possui mais de uma estação, é normal que uma apresente uma temperatura e outra uma variação. Isso ocorre devido a uma combinação de fatores como a localização geográfica, a altitude, a presença de obstáculos próximos, a hora do dia e a própria variação natural do clima. Além disso, diferentes tipos de equipamentos e técnicas de medição podem contribuir para essas diferenças.
*Produção: Carolina Dill
É assinante, mas ainda não recebe as newsletters com assuntos exclusivos? Clique aqui e inscreva-se para ficar sempre bem informado!


